quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

[.leve a vida simplesmente.]

Hoje não queria falar sobre perdas, mas achei que precisava desabafar. Então tentei falar de uma maneira leve e real. Falarei sobre pessoas...

Durante nossa vida conhecemos várias pessoas, e quando a gente faz parte de algum grupo, em qualquer lugar que seja nos tornamos especiais para outras pessoas com o passar do tempo, porque o dia-a-dia nos ajuda a conhecer suas qualidades e nossas afinidades.

Durante o tratamento dialítico é justamente isso que acontece, às vezes passamos tanto tempo ao lado de nossos colegas que eles se tornam irmãos, companheiros de batalha. Acredito que só eles sabem o que sentimos de verdade, pois passam pela mesma experiência todos os dias.

Perder um colega de diálise, ou para o transplante ou para a morte nos deixa um vazio imenso no peito, agradecemos a Deus pelo seu transplante e fazemos votos de que seja para sempre. Já quando perdemos um colega para a morte nos sentimos sem reação, vazios e desiludidos, pois a primeira coisa que pensamos, mesmo sem querer, é: “É... e saber que podia ter sido eu.”.

Este mês perdi uma colega e me entristeci bastante, mas percebi que enquanto perdemos colegas próximos, vemos outras pessoas que não estavam em um centro de diálise, mas sim, em suas casas com suas famílias assistindo a TV enquanto conversavam, a chuva destruía seus sonhos e suas vidas, como está acontecendo em Santa Catarina.

Não são só os renais que morrerão um dia, são todos nós que por alguma razão vive neste mundo cheio de alegrias, mas também de tristezas.

Fazendo nossa parte, tomando cuidado com a quantidade de líquidos que tomamos, cuidando da nossa alimentação e tomando nossos remédios e vitaminas tudo fica bem, nestes muitos anos de tratamento nunca vi ninguém morrer de “hemodiálise”. E nos cuidando podemos ter em nossa vida mais alegrias que tristezas.

As pessoas morrem, todas elas, porque tem que morrer...
Ou alguém aqui quer ficar para sempre no mundo?!


P.S: Texto publicado no Jornal do Renal - Dezembro 08.

3 comentários:

Thiago Barros disse...

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Tudo lindo por aqui, vá em frente, pois suas letras têm futuro.

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George disse...

É isso aí Lú!
Escrever sobre sua experiência é também dar um pouco mais de voz para todos nós.
Realmente nós renais somos uma tribo estranha, talvez por isso mesmo que você mostrou, estamos tão próximos na provação que os laços que criamos só podem ser fortes.
E quando se rompem, bem, aí é difícil não?

Pri disse...

Lú, oq é Jornal do Renal?