quarta-feira, 2 de setembro de 2009

[.doenças renais atingem mais de 1 milhão de brasileiros .]

O número reduzido de médicos nefrologistas preocupa profissionais da área
Por Mariana Martins
Entre todas as especialidades médicas, a nefrologia, área especializada em prevenção e tratamento de doenças renais, é uma das que mais sofre com a falta de investimentos. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 1,6 milhões de habitantes apresentam algum grau de disfunção renal. "O mais preocupante é que 70% dessas pessoas não sabem de sua doença", afirmou a nefrologista e secretária geral da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Patrícia Ferreira Abreu, 42 anos.
Atualmente, no Brasil, existem cerca de 3 mil nefrologistas e esta quantidade não cresceu nos últimos anos. "É um grande problema, já que a população de renais crônicos deve dobrar em 10 anos", disse Patrícia. O médico nefrologista precisa ter dois anos de residência médica em clínica geral e mais dois de residência em nefrologia.
Em 2002, registrou-se a realização de 628.674 consultas especializadas em nefrologia na rede SUS, número que, segundo a SBN, deveria ser de 3 milhões 600 mil atendimentos, considerando que cada paciente deveria realizar três consultas ao ano.
As principais patologias que levam à diálise ou ao transplante renal são hipertensão e diabetes, de responsabilidade do clínico geral. Patrícia acredita que, para evitar o crescimento do número de indivíduos renais crônicos, é preciso fazer uma prevenção mais eficaz. "Além da falta de nefrologistas, falta capacitação dos profissionais na atenção básica para a prevenção e detecção precoce dessas doenças", afirmou a secretaria geral da SBN.
O Brasil dispõe de profissionais de renome internacional. Hoje realizamos diálise e transplante com qualidade equiparada aos países de primeiro mundo. "Apesar disso, sinto que a vontade e os investimentos poderiam ser maiores, não só dos governantes mas também da sociedade para implementar programas públicos eficazes de detecção precoce, prevenção e tratamento das principais patologias", completou Patrícia.

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